"EU JÁ MORRI!" (parte 2)

O céu parecia mais baixo hoje e eu senti o sol queimar o meu corpo como se estivesse colocando as mãos em brasa, queimadura, eu sinto a vida como uma queimadura exposta. 

Sinto ela (a vida) queimar a cada copo de álcool e a cada pequeno gesto de fuga da realidade, enquanto caminho nessa linha tênue entre o que existe e o que a gente pensa existir, entre o que existiu e a gente inventou pra tornar o caminho mais suportável, entre o que a gente realmente é e tudo que fizeram de nós, entre o que foi dito e o que foi escutado, entre as muitas versões da mesma maldita história.

Esse mundo paralelo que eu vivo cada vez que fecho os olhos para ouvir aquelas canções de tempos que eu não chego nem perto de saber em qual mundo existiu/existe. Será que realmente existiu?

Olhei mais uma vez pro céu e toda a beleza dessas nuvens carregadas não conseguiu aplacar a agonia de não saber, de não me fazer ser entendida, de ser condenada sem direito de defesa, com apenas testemunhas (falsas) de acusação. 

Eu fui enterrada viva. A maioria das pessoas não param para pensar no efeito nocivo de seus venenos, no corte incisivo de suas palavras. E eu digo isso não como alguém que se julga sempre certa, mas como alguém que por algum tempo não mediu as palavras, não pensou nos efeitos, não avaliou a confiança dos ouvidos. 

Talvez o fato deu sempre me colocar mais forte e pior do que eu realmente sou e não me  fazer de inocente como a maioria me tornou um alvo fácil para a condenação. Fácil pros outros. Eles precisavam de um vilão e eu estava ali sem crédito nenhum, qual o problema uma pedra a mais? Qual o problema uma gota a mais num copo já cheio? E daí se ela não estava bem?

Mais uma vez (como tantas nesses últimos anos) eu quis chorar ali no meio da avenida principal da cidade como se o céu fosse desaguar em mim e o meu coração fosse muito pequeno pro tamanho de tudo que eu tenho guardado, ou talvez o problema seja o fato dele ser grande demais e querer ocupar mais espaço do que deveria. 

Quis gritar com toda a força que me custa ter todos os dias pra simplificar a vida que de algum modo nunca foi tão complexa. Talvez simplicidade seja isso, entender a nossa pequenez perante a vida, diante das pessoas, dentro de nós mesmos...

E uma vez mais eu engoli o choro e segui como se nada pudesse me ferir, como se eu fosse mesmo tudo isso que dizem de mim, coloquei o meu melhor batom, me vesti com meu melhor sorriso. Dizem por aí que eu estou melhor do que nunca. Vocês veem como é fácil enganar os outros? Ninguém se importa com o conteúdo contanto que as capas rendam assunto...

Ps: No fundo, aqui dentro, eu ainda sou mais lilás do que púrpura...

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