A piada chamada: Corpo

Da mesma maneira que algumas noites são muito curtas por serem tão boas, outras são longas e parecem que cabem os pensamentos do mundo inteiro. Acredito que nunca entendemos a relatividade do tempo tão bem enquanto somos muito felizes ou quando sofremos, são os picos altos da vida em que as coisas ficam claras. Em um momento você quer dizer “vai devagar, minhas mãos não estão prontas pra ir embora” e dias, meses depois você vai implorar “amanhece, amanhece logo, passe logo dia, acabe logo mês, ano”.

A noite passada foi uma dessas que o peso dos pensamentos de um mundo inteiro pareceu pousar sobre meus ombros, me senti como Atlas, aquele deus grego sentenciado a carregar o peso dos céus para sempre. Tentei manter meus sentimentos de lado e ser um pouco racional sobre a coisa toda e cheguei a algumas conclusões que a gente evita chegar, mas sabe que estão lá no fundo de uma gaveta da mente esperando espaço pra poder vir à tona.

Lembrei de uma amiga que me afastei há algum tempo e que no dia anterior me soltou a frase “eu não sou importante, eu não sou ninguém, eu achei que eu era diferente, mas eu sou igual a todo mundo”. Não fui capaz de contestar a frase por que a verdade é que ela não é, nenhum de nós somos. Nós temos momentos de importância na vida de algumas pessoas ou lugares, mas passa. Nós somos feitos de momentos. Pode durar 6 meses, 1 ano, 30 anos, mas vai chegar o dia que a nossa importância vai diminuir e a nossa permanência em algum lugar que nos é importante não vai ser necessária ou possível e isso dói, dói perceber que uma mudança vai chegar e que o tempo que você quis tanto pausar vai finalmente se deslocar mais devagar, mas na hora errada pra você. É a sua mente jogando com você.

A constatação de não termos a importância que damos ou queremos das coisas ou pessoas é um daqueles mistérios do universo, a tal da reciprocidade impossível de ser encontrada por que não somos iguais, nunca seremos. Nós todos somos peças de um quebra-cabeça que não tem encaixe tentando desesperadamente se encaixar. E é uma piada cruel, mas ainda assim uma piada que apesar de sermos humanos e supostamente sermos diferentes dos outros animais, a lei da selva permanece, quem tem estratégia de fuga ou força de ataque sobrevive. Quem fica parado lamentando tende a ser devorado com tempo e não pelo tempo, que passa sempre igual todos os dias, nossos hormônios é que determinam a sensação de rapidez ou lentidão. Nosso corpo, essa maquina maravilhosa que é uma piadista impecável, principalmente para aqueles que não pegam a piada.

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