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Mostrando postagens de Março, 2016

Estrela cadente

Anoiteceu, o céu estava lindo como há muito tempo eu não reparava. A lua brilhando a triste solidão de sempre nunca amenizada pelos milhares de estrelas, nem mesmo por aquelas maiores e mais brilhantes que o sol. 

O azul tão profundo e limpo refletiu em mim a intensidade dessas horas inexprimíveis, mesmo para mim que sempre busquei palavras pra significar pessoas, lugares, situações e sentimentos. 

Não, meu vocabulário não sabe, silencia pra crua nudez das minhas mãos procurando o equilíbrio, silencia pros meus olhos cheios, cansados e sem sono. Silencia pros meus braços que envolvem meu corpo como se pudessem alcançar por dentro, como se pudesse preencher o vazio oco deixado por essas horas. 
Uma estrela cadente surge no céu, caindo com o peso dos milhares de anos vagando entre espaços e constelações quando o significado se perde a ponto de fazer seu portador se perder. Essa estrela cadente não pode seus desejos atender.
Amanheceu...

Me ensine a respirar...

Me ensine a respirar quando o vento entrando pela janela aberta trouxer poeira demais pra dentro dos meus olhos muito abertos, me lave com suas palavras.
Me ensine a respirar quando eu perder a coesão e não ter mais sentido exclamações ou interrogações,  me envolva com suas reticências...
Me ensine a respirar quando os meus passos se perderem no meio das minhas palavras e eu não souber mais onde estar em casa, me faça um casulo, diz que é só uma fase de lagarta que ainda não sabe voar.
Me ensine a respirar quando eu ficar com medo do escuro e ainda faltar muito pra amanhecer, me esquente com a sua solidão.
Me ensine a respirar quando eu sentir muita saudade do que eu não posso mais ser, me ensine a eternizar sem a dor, deixa apenas o que de bom ficou.
Me ensine a respirar quando eu me sentir pequena demais diante dos acontecimentos , me ague com verdades e não me acalme com doces mentiras.
Me ensine a respirar quando o tempo não for suficiente pra curar aquelas  marcas profundas demais,  me…