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Mostrando postagens de 2016

Um brinde para nunca crescer!

Tem uma risada ecoando nos corredores

Todas as vozes se transformando numa só

Passos despreocupados de quem chegou
querendo permanecer

Sabendo bem que logo logo teria que partir
(alguns cedo demais)

Ainda há resquícios daquela piada antiga
que eu rio ao lembrar

Ainda se sustenta em meu peito a felicidade
de não querer estar em outro lugar

As ruas continuam as mesmas,
mas os passos agora se apressam

Onde nós vamos com tanta pressa?

Se eu não posso voltar no tempo eu posso
te chamar pra andar devagar?

Só hoje, vamos reencontrar aquele velho lugar lúdico

Aquele que guarda nossas lágrimas e sorrisos

Aquele lugar que era fácil acreditar
que um dia seria fácil deixar...

Aquele lugar grande que cabia
no gesto simples
                            de abraçar...


4 notas

Tem um gosto de solidão no aconchego do sofá singular que já nos serviu de plural.
Tem um tom de amargor aquela música doce que ainda não se conjuga no tempo certo que passou.
Tem uma lágrima no sorriso que vem espontâneo ao ver aquele sorriso que nunca mais me será dedicado.
Tem uma dor ao lembrar da alegria do quanto esse seu ódio já foi amor...

Carta ao meu eu de 30 anos

Olá, tudo bem? Espero que você esteja bem, realmente bem, não daquele tipo que a gente só diz que está bem para evitar explicar os porquês (aliás espero que você tenha aprendido a usar eles melhor).
Aqui do passado eu confesso que estou mandando minhas melhores energias pros seus 30 anos, os 24 não foram fáceis e os 25 definitivamente não começaram bem, mas foi importante passar por aquele tipo de coisa que você nunca quis passar, porque era tudo que você precisava.
Espero que as feridas tenham se fechado até aí e que você nunca olhe pras suas cicatrizes com arrependimentos, você as ganhou porque se abriu e permitiu sentir como há muito tempo não fazia. E eu realmente espero que você aprenda a fazer isso de novo, porque agora você está entrando naquela anestesia de sentimento que você conhece muito bem. Você não está sentindo nada.
Tenho algumas instruções importantes pro caso de alguém tentar te fazer esquecer de quem você é (sua memória que sempre foi tão boa tem te deixado muito n…

Alice in NEVERLAND

Ela rodou a cidade em cada noite do inverno de 2009, sentou com os bêbados e desesperançados, conheceu histórias e dores de estranhos e amenizou com os mais inesperados abraços as suas próprias. Ela não voltou antes do dia amanhecer. Ela tocou o fogo que jurou nunca por às mãos, se permitiu quebrar as regras e os outros por estar quebrada. Ela se acostumou á saudade corroendo tudo que era bom com o tempo. Ela procurou inutilmente não ser aquela que sempre precisa ir embora. Ela cobrou por erros que não foram cometidos por quem ela cobrou. Ela cobrou caro. Ela choveu em plena seca em calçadas que nunca quis pisar, sentiu os pés cederem atrás de cada dose de entendimento. Parte dela nunca mais voltou... Ela se perdeu por inteiro por não saber ser metade...

Nota de rodapé

O jornal da noite mostrou uma matéria no mínimo irônica hoje, estava dando dicas do que a pessoa deveria fazer caso seu caiaque virasse no meio de uma correnteza muito forte com pedras, etc. As opções eram sair do caiaque e lutar pra nadar até a margem, se amarrar a uma corda de alguém que ofereceu ajuda ou ficar quieto em posição fetal esperando o próprio rio seguir seu curso e te levar parar águas mais calmas passíveis de nado.
Segundo os telespectadores que votaram no que seria a melhor opção, segundo eles a opção que traria mais chances de sobrevivência seria se enrolar numa corda oferecida por alguém, mas segundo os atletas acostumados com o esporte e os especialistas em afogamentos a melhor opção seria se manter em posição fetal e deixar a correnteza te atingir e te levar para águas mais calmas.
Isso me fez rir da nossa própria natureza humana e como reagimos às situações, eu ri porque são poucas as pessoas que tem essa resiliência de aceitar a má sorte e se deixar doer, acei…

Eu que não falo de amor

Não percebemos o amor quando amanhece e  os olhos se abrem com um beijo de bom dia.
Não percebemos o amor no almoço aos risos do programa de domingo na TV.
Não percebemos o amor na força de uma tarde ensolarada de mãos dadas.
Não percebemos o amor numa noite à meia luz, pele a pele e nada mais.
Percebemos o amor na frieza de uma semana inteira de silêncios que não sabem se abraçar.
Percebemos o amor quando o perdão se torna sentido e sincero.
Percebemos o amor nas cartas que são escritas nos olhos que transbordam palavras não ditas.
Percebemos o amor no cuidado que se preocupa com o frio que o outro passa, vontade de esquentar.
Percebemos o amor quando os medos mudam de prioridade e as dores do passado já não ferem mais.
Percebemos o amor quando a porta permanece aberta não importando se faz 0° lá fora.
Percebemos o amor no orgulho engolido pra chegar um pouco mais perto.
Percebemos o amor quando o lugar que nos sentimos em casa não é construído de tijolos, mas de braços que não são …

"A gente que ia buscar o dia"

Aos 5 anos de idade eu tive o meu primeiro livro favorito, foi na verdade o primeiro livro que eu li sozinha, sem ninguém me ajudar ou ler pra mim. Naquela época eu fui à primeira aluna da sala a aprender a ler por pura teimosia, logo eu que no primeiro dia de aula não queria ficar na sala de jeito nenhum, minha mãe teve que ficar até a hora do recreio lá porque até então eu estava decidida que não queria saber daquela criançada chorando e puxando os cabelos umas das outras. Só que no recreio minha mãe passou comigo pela biblioteca e aquela sala me ganhou, falei que eu ia ficar só porque eu gostava da sala cheia de livros, que ela podia ir.
O motivo deu querer voltar para casa era muito simples, era uma pequena mesinha que tinha na sala com os livros da minha irmã, e nas tardes, quando ela ia para aula e minha mãe cuidar da casa eu finalmente podia colocar minhas mãos nos livros. E o motivo deu ter resolvido ficar na escola foi porque aquela sala tinha muito mais livros que na mesin…

Quem somos nós?

Eu não sei! Não descobri, depois de meses tentando encontrar o meu próprio lugar de volta ao meu mundo, eu desisti, aquele mundo que eu quis voltar não existe mais (aquele quando eu era um único nó, simples). Agora, pensando ainda um pouco mais eu acho que eu realmente nunca soube quem somos nós, mesmo quando tentei me convencer da exatidão das posições e por mais que as palavras ditas tentassem soar tão certas, dentro de mim aquela luz vermelha sempre soube... De alguma forma minhas inseguranças sempre precisaram se firmar em verde tentando ofuscar a mudança de sinais, mas hoje não, hoje eu sou todo carmim (composto). E nós, somos um emaranhado de nós que não tivemos paciência pra desatar para saber o que esse nós significava.

A piada chamada: Corpo

Da mesma maneira que algumas noites são muito curtas por serem tão boas, outras são longas e parecem que cabem os pensamentos do mundo inteiro. Acredito que nunca entendemos a relatividade do tempo tão bem enquanto somos muito felizes ou quando sofremos, são os picos altos da vida em que as coisas ficam claras. Em um momento você quer dizer “vai devagar, minhas mãos não estão prontas pra ir embora” e dias, meses depois você vai implorar “amanhece, amanhece logo, passe logo dia, acabe logo mês, ano”.
A noite passada foi uma dessas que o peso dos pensamentos de um mundo inteiro pareceu pousar sobre meus ombros, me senti como Atlas, aquele deus grego sentenciado a carregar o peso dos céus para sempre. Tentei manter meus sentimentos de lado e ser um pouco racional sobre a coisa toda e cheguei a algumas conclusões que a gente evita chegar, mas sabe que estão lá no fundo de uma gaveta da mente esperando espaço pra poder vir à tona.
Lembrei de uma amiga que me afastei há algum tempo e que n…

Estrela cadente

Anoiteceu, o céu estava lindo como há muito tempo eu não reparava. A lua brilhando a triste solidão de sempre nunca amenizada pelos milhares de estrelas, nem mesmo por aquelas maiores e mais brilhantes que o sol. 

O azul tão profundo e limpo refletiu em mim a intensidade dessas horas inexprimíveis, mesmo para mim que sempre busquei palavras pra significar pessoas, lugares, situações e sentimentos. 

Não, meu vocabulário não sabe, silencia pra crua nudez das minhas mãos procurando o equilíbrio, silencia pros meus olhos cheios, cansados e sem sono. Silencia pros meus braços que envolvem meu corpo como se pudessem alcançar por dentro, como se pudesse preencher o vazio oco deixado por essas horas. 
Uma estrela cadente surge no céu, caindo com o peso dos milhares de anos vagando entre espaços e constelações quando o significado se perde a ponto de fazer seu portador se perder. Essa estrela cadente não pode seus desejos atender.
Amanheceu...

Me ensine a respirar...

Me ensine a respirar quando o vento entrando pela janela aberta trouxer poeira demais pra dentro dos meus olhos muito abertos, me lave com suas palavras.
Me ensine a respirar quando eu perder a coesão e não ter mais sentido exclamações ou interrogações,  me envolva com suas reticências...
Me ensine a respirar quando os meus passos se perderem no meio das minhas palavras e eu não souber mais onde estar em casa, me faça um casulo, diz que é só uma fase de lagarta que ainda não sabe voar.
Me ensine a respirar quando eu ficar com medo do escuro e ainda faltar muito pra amanhecer, me esquente com a sua solidão.
Me ensine a respirar quando eu sentir muita saudade do que eu não posso mais ser, me ensine a eternizar sem a dor, deixa apenas o que de bom ficou.
Me ensine a respirar quando eu me sentir pequena demais diante dos acontecimentos , me ague com verdades e não me acalme com doces mentiras.
Me ensine a respirar quando o tempo não for suficiente pra curar aquelas  marcas profundas demais,  me…

Manifesto ao choro

Desculpa a falta de jeito, desculpa se não achei graça da piada da noite, nem me juntei ao coro de risos que atravessou a cidade brilhando néon, não combinando com meu pijama cinza.
Perdão se me resguardei o direito de abrir uma ou duas garrafas de vinho sozinha e derramei uma lágrima ou duas (talvez um pouco mais). E sim, foi por uma pessoa específica.
Foi por mim, pelo meu direito de ser triste quando estou triste, meu direito de ser mau humorada, meu direito de fechar a cara, de odiar quem me fere, de me recusar a continuar ser ferida.
Foi por mim, pela minha estrutura nervosa que cedeu a emoção de uma junção de momentos que me derrubaram como num efeito dominó. Foi pelo tempo que eu sei que vou precisar gastar pra por tudo de volta no lugar, pela percepção de que algumas peças se quebraram e eu vou ter que conviver com elas assim ou jogar fora e conviver com o espaço vazio.
A percepção de que algumas coisas você precisa engolir se não elas engolem você.

A percepção da dor alhe…