SUPERficial.

Toque-me! Ela pede às 2h da manhã sozinha em seu quarto pra ninguém ouvir. No fundo é mais com ela mesma. Um pedido que vá além da rotina imediata dos dias, dos choros escondidos, dos risos repreendidos. Aprendeu cedo demais que não pode fazer igual ao sobrinho de 1 ano que quando não atendido se joga no chão e chora sem cerimônias em lugar nenhum, é preciso esconder as fragilidades, ninguém está aqui pra ver a vulnerabilidade alheia.

E toda vez, ela se repreende e sente um ar de derrota interna quando qualquer delicadeza a mais lhe escapa pelos olhos. Olhos que ela busca deixar impecavelmente secos, limpos de qualquer sentimento. E é claro, algumas tantas vezes falha miseravelmente em não ser mais uma criança assustada que chora por um motivo qualquer do dia-a-dia, por um grito que lhe fere os ouvidos, por uma incompreensão de posição. Ela percebe aos poucos que o sentimento de ser deixada na escola um pouco além do horário e se sentir perdido nunca passa, só sofre adaptações, com pessoas diferentes e lugares diferentes.

A superficialidade tem certa profundidade, ela notou. A palavra "superficial" é equivalente à palavra "skin deep" no inglês, que se fosse traduzida literalmente seria a “profundidade da pele”, e essa mesma palavra é atribuída a coisas desnecessárias, que não são de grande importância ou atenção, mas a pele tem 7 camadas  e se estende pelo corpo inteiro, ela envolve os músculos e toda profundidade das veias, da circulação. Então essas lágrimas superficiais que vez por outra escapam dela, tem toda a profundidade de um sentimento, de algo que vai além da capacidade de outro ser "humano" compreender.


Quando uma criança se joga ao chão pedindo pra que abram a porta pra ela ir pra rua, que lhe deem um doce, aquele algo é toda a profundidade do universo da pequena criatura que ali chora, o choro o riso e quaisquer pensamentos tem toda a profundidade do que sentimos ou precisamos. Assim como a pele, não tem grande profundidade o que ela deseja ou sente no dia-a-dia, mas tem a dimensão do corpo todo. E por mais que tentemos desvendar, explicar e entender a superficialidade do choro ou do riso alheio seria impossível, tanto quanto cortarem a sua pele e eu sentir...

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