Selado!!

6 AM, ruas vazias, pessoas se desencontrando, mal humor. Atrasados, pessoas saindo mais cedo, pessoas andando pelas ruas no automático. E de repente vê um casal dando um selinho demorado, carinhoso, mão no rosto, vira o rosto.

12 AM, ruas lotadas, pessoas correndo pro almoço, correndo pro trabalho, correndo, suadas, mal humoradas. E lá está, no meio de todo alvoroço, um casal dando o tal selinho com todo carinho, nem aí pra pressa de ninguém, apenas ali pro gosto. Desconhecidos encaram, que desgosto.


E eu percebo as 5 PM que o carinho alheio incomoda, que a felicidade dói nos outros, que ver selo de “amor” não caí bem em estômagos vazios. Olhar frente a frente às declarações escondidas em um pequeno ato de encostar uma boca na outra, singelo jeito de dizer “eu senti saudade o tempo que minha boca ficou distante”, “está cheio aqui, mas eu preciso encosta minha boca na sua”, “não temos tempo pra demoras, mas eu sempre terei um segundo pra isso”. Quanta coisa um selo diz, diz donde vem, diz pra onde vai, diz a quem pertence, diz tanto. A diferença de intensidade sempre sabe o significado, quando é apenas um hábito ou quando é a supressão de toda uma sentença engolida. 


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