"Tenho um por que, (por favor), desligue a luz!"

Eu nunca soube usar os porquês, nunca soube colocá-los corretamente nas frases, nunca soube explicar a razão por trás deles nas minhas praticas tão pouco. Sempre tive que recorrer a uma gramática pra saber onde colocar cada qual em seu devido lugar, sempre tive que recorrer a minha (não tão confiável) emoção para explicar tais causas e questões e ainda assim, constantemente eu coloco o porquê errado diante das minhas causas.

Entenda que talvez eu não saiba explicar com coerência que a minha raiva é o limite divisor do quanto eu me importo, por que o meu não importar é ignorar, o meu não importar é manter meu telefone desligado é nem cogitar erguer a minha voz, é não precisar morder os meus lábios para me conter, meu não importar é cara de paisagem. Se eu me dou ao trabalho de fazer esse ato que eu detesto, que é ter que erguer a minha voz em frustração, parabéns, você conseguiu captar minha atenção, mas por mais que toda essa comoção signifique a minha inclinação, não abuse dos meus timbres, por favor, eu ainda prefiro sussurrar, eu ainda prefiro não precisar virar meu rosto, empinar meu queixo, levantar meu tom, explicar o porquê de tal assunto ainda ser sensível à minha audição.

E o porquê/motivo final da minha intervenção é que se eu não consigo expressar meus porquês em frases supostamente simples, em construções estritamente gramaticais, como você espera que eu saiba usar o porquê certo para tomar a decisão correta ou explicar o meu por que de ser tão errada e não me importar com isso? Por que tudo que eu tenho são os meus porquês/razões, mesmo quando eu não tenho razão nenhuma...



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