Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje certamente eu não iria embora, nem para o céu que tantos sonham, nem para o tão temido inferno que juram existir.

Se eu morresse hoje eu ficaria vagando em torno da vida, mais um fantasma entre os vivos com todas as minhas questões pela metade, meus arrependimentos e as minhas promessas não cumpridas.

Se eu morresse hoje voltaria àquele lugar bonito que eu nunca vou por conta das lembranças, eu dançaria a noite toda sem cansaço, sorriria para os estranhos e não faria nada além do que profundamente fosse desejado.

Se eu morresse hoje eu não beberia, passaria a noite sóbria para ver melhor os detalhes, me pouparia desses subterfúgios que já chamei de felicidade e aceitaria meu estado natural, sem mais.

Se eu morresse hoje eu contaria meus segredos, abriria a boca e diria tudo, eu não me importaria com julgamentos mundanos, eu não me importaria com julgamento nenhum, eu finalmente não me importaria com nada.

Se eu morresse hoje eu criticaria abertamente aquele comportamento que julguei infantil, mas que na verdade é bem adulto, as crianças são muito mais autênticas e sinceras, só brincam com jogos literais, inclusive sinto falta de jogos literais.

Se eu morresse hoje eu rezaria para chover, molharia meu rosto e pularia nas poças como se eu tivesse cinco anos, eu te chamaria para brincar comigo, eu te convidaria para ser criança outra vez.

Se eu morresse hoje eu gritaria para você, você mesm@ que amar dói, amar dói demais, amar é adubo para viver, é uma merda sim e as vezes não cheira bem, mas fortifica, dá frutos, faz sorrir, faz crescer.

Se eu morresse hoje meu ultimo pensamento seria um gole de covardia, que eu não posso partir porque esperei tanto para fazer certas coisas e agora não tenho mais tempo e, se eu pudesse dizer algo a mim mesma seria: Você é covarde até para morrer.


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