Reticente...

Eu fecho as portas, escondo meus traços e me reinvento em um ser que seja mais suportável de ser carregado, superficial e pouco maleável, caminho certo, um voo sem fim, não ter pouso, não deixar que ninguém roube mais do que eu já nem tenho. Não tenho nada à dar e ainda assim, há tanto em mim. Não tenho muito que fazer, mas me desdobro e corro pelas ruas como se não tivesse um grilhão preso aos pés.

Tento firmemente ser uma ciência exata que não exprima mais que uma interpretação, havendo algumas possibilidades, mas certas de encontrar uma solução. Tento ser algo pré-determinados com caminhos possíveis para chegar a um entendimento. Algo que possa ser explicado em apenas um olhar.

Sem sucesso! Escancaram minhas janelas e revelam que na verdade eu sou uma literatura difusa que não pode ser interpretada e compreendida em apenas uma leitura, e que não há um caminho certo para entendimento, talvez nem haja entendimento. Algumas literaturas não podem ser entendidas, apenas sentidas.

Busco por exclamações e pontos finas inutilmente por que não resisto a quebra das virgulas e as reticências que sempre deixam algo no ar. Eu vou me deixando subentendida esperando que você me pressinta...

Comentários

  1. Complicada e perfeitinha, haha. Brincadeiras à parte, gosto de pessoas que me instigam a desvenda-las. O mistério é muito envolvente e a surpresa, na maioria das vezes, é boa. Ser um livro aberto, nem sempre é vantajoso e para mim, perde-se o encanto primordial.

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