Postagens

Mostrando postagens de 2013

Pegando minhas asas de volta...

Calei-me para os meus erros saindo de várias bocas numa noite de céu nublado. Calei-me ao som da batida do meu coração, agora não mais ansioso, abstraído só. Calei-me não por falta de argumentos, apenas não quero mais retrucar meus erros citando os erros de outra pessoa como se justificassem os meus, embora constantemente façam tal ato comigo, fizeram ontem, fizeram hoje, eu sei que o farão amanhã também.

Não importa, não acredito que um erro justifique outro e mesmo quando meu erro é simplesmente o reflexo de um outro ato, não direi, não preciso disso, apenas digo, errei... Assumo a infantilidade do meu feito, assumo as consequências, pago a conta, pago a língua, pago o tempo (meu tempo), pago caro, acho é pouco e até gosto. Tenho a personalidade um pouco fênix, desfaço em cinzas só para ressurgir de novo do fogo de onde eu pertenço (aquecedor e letal) em carne, ossos e asas. Cicatrizada, criando resistência a cada novo golpe, a cada nova dor.

Tudo que eu sempre quis foi voar, vou co…

Reticente...

Eu fecho as portas, escondo meus traços e me reinvento em um ser que seja mais suportável de ser carregado, superficial e pouco maleável, caminho certo, um voo sem fim, não ter pouso, não deixar que ninguém roube mais do que eu já nem tenho. Não tenho nada à dar e ainda assim, há tanto em mim. Não tenho muito que fazer, mas me desdobro e corro pelas ruas como se não tivesse um grilhão preso aos pés.
Tento firmemente ser uma ciência exata que não exprima mais que uma interpretação, havendo algumas possibilidades, mas certas de encontrar uma solução. Tento ser algo pré-determinados com caminhos possíveis para chegar a um entendimento. Algo que possa ser explicado em apenas um olhar.
Sem sucesso! Escancaram minhas janelas e revelam que na verdade eu sou uma literatura difusa que não pode ser interpretada e compreendida em apenas uma leitura, e que não há um caminho certo para entendimento, talvez nem haja entendimento. Algumas literaturas não podem ser entendidas, apenas sentidas.
Busco…

Entre o "vai passar" e o "passou"...

A minha solidão Tem o tamanho exato das suas mãos Traçando novos caminhos sob minha pele Tem o peso do seu corpo Abandonado ao lado do meu Tem a profundidade do seu olhar Indiscreto e quase perverso Em uma oração silenciosa Um grito mudo no meu coração Despindo o medo que reguei nesses anos Diluindo as paredes que cuidadosamente construí... A minha solidão Ela tem o encaixe preciso dos seus lábios na minha lateral No frio que antecede o calor Da incerteza que se faz tão certa Tem o timbre firme da sua voz Falando entrecortada no escuro: Fica..."

Déjà vu

20 h. Anoiteceu, mas o tempo continua lento.

Depois das 23 tudo muda, meus ponteiros aceleram.

Minutos passam em horas e quando eu vejo o dia já amanheceu.

Amanheceu rápido para passar devagar.

Sinto cada articulação do relógio nos meus batimentos.

Conto os passos com tranquila inquietação.

Aproveitando meu momento mais calmo.

Não há pressa pra chegar onde a bussola indica.

Anseio, sim, pouco a pouco, minuto a minuto.

Não quero correr, confesso meu medo da conclusão.

Sei de cor onde esse caminho costuma levar...

Antes dos seus pés tomarem consciência do passo

Eu pressinto sua direção...


Troco asas por pés mais equilibrados

Não quero mais voar, cansei!
Não quero viver indo embora dos outros, quando o que me incomoda está dentro de mim.
Eu não preciso de asas, eu só preciso me equilibrar no tempo, e olhar mais no espelho e menos ao meu redor.
Como muitos já fizeram um dia, costumava me imaginar algo como o boneco de lata, precisando de um coração, meio oca por dentro, sem nada para oferecer.
Hoje eu sei que não é disso que preciso, tenho um coração que surpreendentemente parece ser um pouco maior do que o espaço destinado a ele, tenho o sentido pulsar em diferentes membros meus.
Não, eu nunca precisei de um coração, nunca fui o boneco de lata do mágico de Oz, eu sou o Leão covarde, eu só preciso de coragem.
Coragem pra dizer o que eu preciso dizer sem medo de soar egoísta, inoportuna e insensata, sem medo de achar que estou sempre incomodando. 
Eu me refaço diariamente, eu refaço os meus sorrisos, eu refaço meus abraços, tentando fazer dos meus braços aconchego. Eu refaço minha calma como se dentro de mi…

Canto meu.

Enquanto a chuva não vem eu deixo meu corpo descansar no chão frio, permitindo que o vazio absorva um pouco do calor de minhas mãos e gradativamente esfrie o centro dos meus problemas, o centro do que sou. Pergunto-me como o mesmo material pode aderir tantas finalidades diferentes, pode ser atingido de variadas formas que não deveriam danificar em nada a função que possui, mas danificam, danificam todo um sistema, comprometem as engrenagens, a lucidez, a concentração...
Chegue mais perto enquanto encaro o teto como mil telões de um mundo que só pertence a mim. Não fale nada enquanto minha cabeça canta uma melodia própria que eu adoraria poder reproduzir para que fosse ouvida por você também, mas minhas habilidades são limitadas, meus membros desajustados não respondem prontamente meus comandos...
Eu tento mesmo assim, canto pra você, o canto que eu fiz só pra mim...

Sob a respiração...

Indistintamente Há mais estrelas essa noite do que nas anteriores Faíscam segredos e eu escuto de perto a minha canção de ninar Deixo guardado o que um dia eu quis
Inevitavelmente e previsível, desencantei Protegi em mim Irreparável, não mais tentando buscar o que passou, é fim!
Olhos abertos, eu vou esperar o sol chegar Despeço-me das estrelas, cúmplices de um tecido segredo Beijo a noite com meus braços abertos Asas prontas, é uma renovada constelação, de dia...
Novamente, eu estarei aqui na noite seguinte Dividindo a leveza (e também o peso) que trago Singela e doce, a leveza intensa que deveria pesar Mas se fez chuva, eu já posso sentir...
Não mais inalcançável, não mais dolorido Apenas melancólico...
Aproveito (não mais suporto) o dia enquanto a noite não vem Deliberada, haverá sempre um lugar seguro, sim! Distraída, aquém dos meus esconderijos sempre presente...
Não há solução, apenas atalhos e superficiais remediações...



Chove em agosto

Um céu brilhante e azul se fecha em cinza

Contrariando as sentenças esfria o sentido morno

Leva embora a minha pressa de chegar
mais longe de onde estou

Eu tenho necessidade de ir. Entende?

Eu preciso me afastar para entender
o que meus olhos insistem em ver

Eu juro que eu vejo, tenho visto há algum tempo.

Reflete em cada poro meu a luz que me inside

Mas dizem que a sede tende a trazer miragens no deserto

O calor faz a miragem, quem sabe agora isso passa...

Vai passar até esquentar aqui dentro de novo,
eu sei que vai.

Corro contra o tempo e procuro pelo frio
nesses dias ensolarados demais

Corro contra mim mesma,
cansada de ser uma folha de outono.
Eu vou cair...

Eu preciso encontrar algo além
de uma chuva passageira num mês de seca

Eu preciso ser algo além de um sussurro
que se esconde do grito que guarda

Não há perspectiva e quanto mais eu chego perto
mais careço correr.
Mas o vento já não me leva...
Eu criei raiz?


Moça...

Você, perdida no espaço parecia tão triste no dia que te conheci, seus olhos perderam o brilho olhando pro nada, secretamente você pedia que aquele dia nunca tivesse chegado. Eu vi você engolir a mágoa e fingir um sorriso para não ter que dizer que era cruel ali embaixo, que você só queria ir para casa e dormir. Seus olhos, eles pediam um pouco de paz, um pouco de zelo. E eu me vi querendo te cuidar, te conhecer melhor, eu quis ver um sorriso verdadeiro nos seus lábios cerrados. Eu quis conhecer a sua história, quis saber das manias que te fazem singular, da rotina dos seus dias, do que motiva seus passos ritmados. Eu quis saber o seu lugar preferido nesse mundo maluco, a sua opinião para aquilo que eu não tenho nenhuma, os seus conceitos, seus desejos. Eu quis fazer parte do seu dia-a-dia. Tenho essa mania de olhar para alguém e de repente querer ser parte do mundo da pessoa, querer saber sobre ela, querer entender, acolher. Talvez sejam os olhos, talvez seja o tom da voz, talvez se…

Sexto sentido.

O quanto cabe no espaço de uma palavra a outra? O quanto cabe no silêncio entre uma pronuncia e outra? O quanto de silêncio cabe nas minhas falas? O quanto cabe entre a dúvida e a certeza? O quanto de verdade cabe nas estórias? O quanto de simplicidade cabe naquilo que é complexo? O quanto de entrelinhas cabe nas minhas palavras ditas? O quanto cabe no tempo que me leva a conseguir concluir algo? O quanto de você cabe em mim? O quanto de mim cabe em você?
O tempo e o seu passar tão relativo me fala da necessidade de se aprender a conviver com entrelinhas, com meios termos, com subjetividades, com figuras de linguagem. E também há a questão de aprender a usá-las apropriadamente. Leva tempo para se perceber que nem tudo pode ser dito, que nem tudo pode ser perguntando e que, na maioria das vezes, a convivência com a dúvida é algo importante para reconhecer às verdades primordiais que são escondidas em “ações” aparentemente insignificantes. Sinta essas entrelinhas. Um determinado jeito …

Declaring...

I'll never be that girl who makes the time never be enough
Never be your secret wish
Never be your play
Someday your way...

I'll never be the most comfortable and sweet silence
Never be your favorite embrace
Never be your girl
Somewhere your floor...


I'll never be the voice that you wait all day to hear
Never be your safe haven
Never be your storm
Somehow your warm...

I'll never be the one unforgettable caress
Never be your hungry kiss
Never be your wing
Sometimes your piece than everything...


100 cortes!

Não gosto de nada que corte. Essas coisas cortantes me machucam antes mesmo de me atingir. Não gosto de facas grandes, fico olhando com a sensação de que elas vão se levantar sozinhas e cortar minhas mãos me impedindo o toque, cortar meus pés roubando o pouco equilíbrio que tenho. Chegar e arrancar minha língua pra que eu pare de picotar as palavras, tirar de mim o coração já tão fragmentado que possuo.

“Facas” não são justas, elas interrompem. Interrompem a pele/papel/plástico/pano/palavras em seu percurso ao outro lado. Interrompem as ideias que esforçadamente eu tento organizar em minha mente. Interrompem minha respiração só de estarem ali, tão perto. Interrompem os passos que programei as conversas que ensaiei os abraços que eu guardei... Elas cortam e sempre parece que fica a parte menos importante, a menos interessante, aquela que eu não consigo lidar, fica aquele pedaço aberto que eu nunca posso remediar, eu só escondo.

E no fundo, eu acredito que talvez o meu pânico por coi…

A DOR NOS OLHOS MEUS.

Meus olhos reclamam. Eles reclamam da falta de descanso, da falta de sono. Reclamam do excesso de uso, do excesso de livros, do excesso daquilo que vejo e não posso alcançar. Prezo muito meus olhos, minha visão. Admiro a beleza das cores, a beleza das construções, a beleza dos rostos, a beleza dos traços, das palavras, das imagens na tela.

Mas, confidencio, eu trocaria minha visão pelo tato, mãos desenhando estradas no meio do meu nada. Eu trocaria minha visão pela audição, sussurros nos meus ouvidos que não firam o meu coração. Trocaria pelo olfato, o cheiro doce de saudade matada, de presença esperada que enfim chegou. E, finalmente, eu trocaria minha visão pelo paladar, o gosto de plenitude encostando nos meus lábios, o sabor dominador que enche minha boca de água. Eu fecho os olhos para as melhores sensações.

Então eu peço, olhos meus não reclamem tanto, por favor. Meus excessos veem por eu não me utilizar dos outros sentidos devidamente. Portanto, perdoem a água na minha boca se…

Fendas ocultas

Eu vejo nas entrelinhas do seu abraço
O seu desejo de estar mais perto
Das entrelinhas dos meus traços
E enquanto eu lhe descrevo em poesias
Que adormecem na ponta da minha língua
Digo que estou encantada por outras linhas
E no silêncio daquilo que eu pronuncio
Eu te refugio em cada verso que disponho
Guardando um pedaço meu em prelúdio
Na desesperança que espera um gesto
Na confiança que mantenho oculta
Nos meus olhos cansados, mas pra você, sempre abertos...


Fatos que eu já não posso relevar.

O seu ponto de equilíbrio está desequilibrado
Olhando meu relógio o tempo já não existe, acabou
Os alicerces não são fortes o bastante
Não importa mais os motivos, está tudo vindo a baixo

Veio a baixo a paciência de esperar por melhorias
Veio a baixo a consciência de ser o chão que você pisa
Veio a baixo o medo de não ter forças para impedir a queda
Veio a baixo o desejo de juntar os seus pedaços

E chegou com o vento esses doces pensamentos
Já não me incomodo em explicar minhas razões
Está tudo consolidado, consumado, demolido
Bobagem acreditar que há o que salvar

Não há mais nada para ser concertado
Aprenderemos a conviver com isso assim, quebrado
Há muito mais sob esse céu do que as dores dos seus pés...


Flertando com o desastre...

Não chegue tão perto assim

Prefiro ver você de longe
Como algo para ser admirado
Um ser intocável
Quase sagrado
Por que a  proximidade
Tem borrado minha visão
E eu acho que te prefiro distante
Como uma fruta vedada
Com muitos encantos, confesso
Mas, se eu morder vou me envenenar
Como todos aqueles que provaram
De perto você é um ser articuloso
Ludibriando com esses olhos pontiagudos
Você gosta de jogos arriscados
Deixando rastros de desastre por onde passa
Extremamente letal à sua maneira
Não percebe o que está deixando escapar?
Enquanto você brinca com aquilo que nem é seu
Escorre entre seus dedos singularidades conquistadas
Cuidado! Segundas chances são utopias...


Carta finita para alguém infinito...

Tom!
Hoje eu me peguei lembrando da gente quando éramos crianças, fugindo pra brincar no parquinho, pulando a janela da sala escondido pra mexer com as massinhas, escalando as árvores mais altas. Lembrei-me de quando eu te acordava nos sábados, você com a maior cara de cansaço e de que queria dormir mais, sorria me convidando para o café e me fazendo sentir bem vinda. Você deixando seus afazeres pra mais tarde só pra ir me dar um abraço por que eu estava chorando (a primeira vez que você me viu chorar), me dando colo sempre que eu precisei, e puxões de orelha todas as vezes que eu mereci.
16 anos que você faz parte do meu “mundo”, 16 anos que você faz do meu mudo um lugar melhor, mais suportável, engraçado, amável e bunito(assim com u mesmo). Muito tempo dado que eu só tenho 21, é quase a minha vida toda. E eu nunca consegui falar de você. Você sempre me escreveu textos enormes falando de mim, da nossa amizade, textos que eu sempre respondia com frases pequenas porque eu não sabia co…

A alegria dentro do copo.

A porta está trancada, como sempre. Mas a janela está aberta. A janela do quarto, a janela do mundo, a janela de mim. Ela mostra as luzes dessa cidade brilhando, feito estrelas sob esse céu encoberto por nuvens. A melodia de diferentes músicas seduzindo em um convite para o corpo se mover. Uma bebida gelada que desça quente, despertando sentidos adormecidos, aflorando desejos ocultos, fendas secretas.
Tem um gato pulando pelos telhados, desbravando novos lugares, olhos lascivos, ludibriados pelos mistérios do luar. A noite aguça os instintos, todo mundo se torna meio animal ao anoitecer...

Seu cansaço...

E você continua aceitando. Embora continue não compreendendo nada. Em um dado momento as respostas se tornam desnecessárias e a única coisa que te resta é o desejo do fim. Por que as chegadas não causam mais euforia, deram lugar ao cansaço. O cansaço das horas esperadas que nunca foram recompensadas. O cansaço de um sorriso que nunca chegou aos olhos. O cansaço do abraço que não envolve mais que braços. O cansaço desse grito preso na sua garganta. O cansaço daquilo que você simplesmente não pode dizer. O cansaço de estar sempre desculpando coisas que você sabe que vão se repetir. O cansaço da saudade daquilo que era doce e se tornou amargo. O cansaço de sentir tanta falta de você mesma. O cansaço de não conseguir parar de pensar naquilo que não pode mais ser modificado. O cansaço de não conseguir se fazer entender. O cansaço da busca por preencher um buraco sem fundo. O cansaço do seu relógio sempre atrasado. O cansaço das repetições que não levam a lugar algum. O cansaço de estar ca…

Desajustada, demasiado desajustada

O telefone está tocando de novo. Eu não preciso olhar pra saber que é você. É você me dizendo mais uma vez o quanto eu sou insensível, que eu passo essa imagem de delicadeza e necessidade de cuidado, mas na verdade eu sou fria, dura e má, que eu abro a porta e encanto só pra depois batê-la na cara das pessoas e dizer que não podem entrar. Que embora eu abrace de forma tão doce que parece que eu preciso de colo eu entro na sua casa pedindo pra você deixar a porta aberta por que eu estou sempre pronta para partir. E é isso que a maioria das pessoas dizem que eu sou, partida. Até as minhas palavras, elas fogem da minha boca quando eu falo, ficam pela metade assim como eu. Eu quero dizer logo e eu quero me entendam logo para que eu possa ir embora mais rápido.
Mas eu sou desastrada e tropeço nas minhas palavras tanto quanto eu tropeço com os meus pés, vivo tropeçando em tudo, batendo em tudo, deixando cair e na minha pressa às vezes nem paro para pegar, vou deixando pedacinhos pra trás. …

Meu lado esquerdo

Velhas pastas guardando velhas ideias na gaveta

Abro uma a uma procurando por mim

Por algo que ainda sirva

Mas esses versos já não me pertencem

As mãos que os fizeram acreditavam

Em coisas que esse coração já não detém
Não tenho fé nas palavras que outrora juntei

O calor dessas linhas seguiu uma estrada difusa

Derreteu-se em ácido

Solidificou-se em veneno

Da doçura muito pouco permanece
Me foi revogada a miragem ideal

Minha utopia é mais profunda agora

Dilatam meus olhos os mundos além
Buscando me ter enfim

Na liberdade de poder partir sempre que preciso

E voltar apenas quando necessário...


Eu quero

Eu quero que olhe em meus olhos e veja calor

E não espere que eu seja tudo que um dia sonhou

Eu quero a beleza da simplicidade

Um sentimento puro, despido de medos

Eu quero te ter de um jeito abstrato

Sem regras sem magoas sem dor

Não quero a volúpia de manhas ensolaradas

E sim a delicadeza de tardes nubladas

Eu quero menos de mim refletido em teus olhos

Eu quero mais de nós

Eu quero nossos passos num mesmo compasso

Mas livres pra seguir outros rumos

Quero momentos de silencio profundo

Eu quero um beijo simples

Quero menos fala e mais gestos

Quero a verdade dos olhos sem a persuasão das palavras

Não quero a mesmice de prazeres efêmeros

Quero a plenitude de algo divinamente humano

Eu quero a nobreza de ter sem se apoderar...