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Você se sente bem dentro da sua pele?” Claro que me sinto, é minha pele! Eu tenho que sentir, eu preciso sentir, preciso porque não tem lugar pra ir além daqui, não é possível me desprender da minha pele...
Eu repito pra mim mesma a resposta e vou dormir convicta de que aquele assunto está ok aqui dentro, mesmo que uma pontadinha de mim irá uma vez mais se questionar e se lembrar de quantos subterfúgios eu preciso pra me manter bem dentro da minha própria pele, dentro desse espaço existente no mundo que eu nem sei quem foi que decidiu que seria o meu espaço, que eu deveria me ajustar a ele (ou eu deveria ajustar ele a mim?)
Guardo na caixinha o pensamento de que talvez eu esteja apenas ludibriando o espelho que está tudo bem, tudo certo dentro do espaço chamado eu.
Convenço-me que eu fiz o melhor que eu podia com o meu espaço e que eu sou o melhor que eu poderia ser.... poderia, deveria, mas quero?
Dia sim, dia não eu guardo na caixinha os pensamentos de que há tantas partes de mim que …

Ode assimétrica à memória de você

Julho é um mês que sempre me traz você. É como um festival na minha cabeça me relembrando (hoje) melhores momentos,  trazendo a superfície antigos conselhos, saudificando abraços que nunca mais tocarão meus braços.

Eu acho que escolhi essa época do ano pra lembrar de você, pra me enxarcar com playlists de músicas que só fazem sentido se equiparadas com a sua forma exagerada e latente de sentir (não só as músicas).
Escolhi julho por ser o meu inferno astral e também o mês que me deixa mais sensível, simbolizando bem a sua representatividade ambivalente em mim (tudo aquilo que você e eu nos esforçamos tanto pra você não ser), mas não é sobre isso que quero discorrer...
É sobre a vez que você me descreveu do jeito mais bonito que alguém podia me descrever. Você foi a primeira a se dar ao trabalho de olhar além da armadura, a primeira a simbolizar meus tons escuros e agudos de voz e vestimenta. 
É sobre quando você me escutou sem me julgar e sem me dar frases prontas de como eu poderia r…

Espelho, espelho meu!

Meus olhos nos espelhos,
tão diferentes de outros invernos...
Menores do que costumavam ser,
tal qual o volume da minha voz,
um tom mais baixo..
Meu batom,
um tom mais neutro.
Minhas colocações,
um tanto mais ponderadas...
Quanto mais eu entendo do mundo e de mim, menos eu me atento a discorrer ao mundo sobre mim...

"EU JÁ MORRI!" (parte 2)

O céu parecia mais baixo hoje e eu senti o sol queimar o meu corpo como se estivesse colocando as mãos em brasa, queimadura, eu sinto a vida como uma queimadura exposta. 
Sinto ela (a vida) queimar a cada copo de álcool e a cada pequeno gesto de fuga da realidade, enquanto caminho nessa linha tênue entre o que existe e o que a gente pensa existir, entre o que existiu e a gente inventou pra tornar o caminho mais suportável, entre o que a gente realmente é e tudo que fizeram de nós, entre o que foi dito e o que foi escutado, entre as muitas versões da mesma maldita história.
Esse mundo paralelo que eu vivo cada vez que fecho os olhos para ouvir aquelas canções de tempos que eu não chego nem perto de saber em qual mundo existiu/existe. Será que realmente existiu?
Olhei mais uma vez pro céu e toda a beleza dessas nuvens carregadas não conseguiu aplacar a agonia de não saber, de não me fazer ser entendida, de ser condenada sem direito de defesa, com apenas testemunhas (falsas) de acusação. 
Eu…

NOSSAS FALTAS

Eu sinto sua falta 
Sinto sua falta, mas não quero me explicar 
Sinto sua falta, mas não quero explicação
Sinto
Sinto sua falta, mas eu realmente me cansei 
Cansei de ter sempre um nó entre as verdades
Cansei de não saber mais o que é verdade 
Cansei da falta de sentido dos seus porquês 
Cansei dos meus próprios porquês também 
Eu sinto sua falta, mas matá-la seria acordar monstros que eu prefiro manter adormecidos...

PRIMEIRA VEZ (DE NOVO)

Eu queria ler o meu livro favorito pela primeira vez uma outra vez. Eu queria a sensação de experimentar minha comida favorita pela primeira vez, a constatação de "eu comeria só isso pelo resto da vida". 
Queria voltar na minha primeira viagem longa e sentir a liberdade da estrada entrando pelas minhas veias, queria ter aproveitado melhor esse momento. 
Eu queria ouvir minhas músicas favoritas pela primeiríssima vez e sentir que a música entra pelo meu coração e não pelos ouvidos como parece ser a lógica.
Queria hoje, mais que todos os outros dias aquele abraço pela primeira vez de novo, a sensação de abrigo. A sutileza do toque. A ausência de intenções. 
Eu amaria reviver aquele primeiro passeio a cavalo, a agitação das borboletas no estômago, a despreocupação em sorrir com coisas simples. 
E principalmente, eu daria qualquer coisa pela inocência de não saber (em cada um dos meus seis sentidos) o peso e as consequências de ter sido partida quando eu sequer tinha noção do q…

AINDA NÃO CHEGAMOS AO XEQUE-MATE

“Você não sabe ser o rei do xadrez do jogo nem de vez em quando... Às vezes você precisa deixar de se importar tanto, sendo uma das peças que mais luta no jogo e deixar alguém fazer isso por você”.
Lembro em alto e bom som a moça que me disse que eu não sabia ser cuidada, que eu me deixava de lado demais por me importar muito com os outros, ela me disse que pessoas assim são como peões, ficam à frente da situação e são os primeiros a receberem os golpes do adversário, são os primeiros a serem sacrificados, os primeiros a enfrentar a morte.
Ainda posso escutar com clareza o que a moça disse e o quanto eu neguei suas palavras dizendo que as coisas não eram assim e que eu não era essa pessoa que morre pelos outros. Ao ouvir minhas palavras no replay agora, elas soam tão vazias que nem eu mesma consigo me comprar.
Nesse jogo da vida eu sou sim mais um peão como tantos outros, estou muito longe de ser um rei e assistir enquanto lutam por mim, enquanto me tiram do campo de batalha ilesa ou re…