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EU SINTO MUITO

É carnaval, encontro seus olhos e nos escondemos da multidão enquanto você toca something just like this totalmente fora do ritmo dessa época do ano. E isso é algo que eu adoro sobre você, seu ritmo não depende do mundo ao seu redor.
O carnaval foi embora, eu espero você ir junto, mas você permanece com a bateria a todo vapor no meu coração. E talvez aquela last hope esteja no replay por mais tempo do que deveria, enquanto suas mãos desenham (literalmente) aquilo que eu ainda não sei por em palavras. 
É páscoa, mas o doce que chega aos meus lábios não é de ovos de chocolate. A ressurreição aconteceu, mas foi em mim, aquelas velhas cinzas de um eu quebrado voam novamente intactas.
Meu aniversário chega e com ele a certeza de que eu estava voando perto demais do sol e nem mesmo os seus braços muito abertos e várias doses de tequila poderiam amortecer a minha queda. 
É  seu aniversário e eu guardo o seu presente porque é tarde demais para ser entregue. Cedo demais para qualquer moviment…

NOSSAS FALTAS

Eu sinto sua falta 
Sinto sua falta, mas não quero me explicar 
Sinto sua falta, mas não quero explicação
Sinto
Sinto sua falta, mas eu realmente me cansei 
Cansei de ter sempre um nó entre as verdades
Cansei de não saber mais o que é verdade 
Cansei da falta de sentido dos seus porquês 
Cansei dos meus próprios porquês também 
Eu sinto sua falta, mas matá-la seria acordar monstros que eu prefiro manter adormecidos...

PRIMEIRA VEZ (DE NOVO)

Eu queria ler o meu livro favorito pela primeira vez uma outra vez. Eu queria a sensação de experimentar minha comida favorita pela primeira vez, a constatação de "eu comeria só isso pelo resto da vida". 
Queria voltar na minha primeira viagem longa e sentir a liberdade da estrada entrando pelas minhas veias, queria ter aproveitado melhor esse momento. 
Eu queria ouvir minhas músicas favoritas pela primeiríssima vez e sentir que a música entra pelo meu coração e não pelos ouvidos como parece ser a lógica.
Queria hoje, mais que todos os outros dias aquele abraço pela primeira vez de novo, a sensação de abrigo. A sutileza do toque. A ausência de intenções. 
Eu amaria reviver aquele primeiro passeio a cavalo, a agitação das borboletas no estômago, a despreocupação em sorrir com coisas simples. 
E principalmente, eu daria qualquer coisa pela inocência de não saber (em cada um dos meus seis sentidos) o peso e as consequências de ter sido partida quando eu sequer tinha noção do q…

AINDA NÃO CHEGAMOS AO XEQUE-MATE

“Você não sabe ser o rei do xadrez do jogo nem de vez em quando... Às vezes você precisa deixar de se importar tanto, sendo uma das peças que mais luta no jogo e deixar alguém fazer isso por você”.
Lembro em alto e bom som a moça que me disse que eu não sabia ser cuidada, que eu me deixava de lado demais por me importar muito com os outros, ela me disse que pessoas assim são como peões, ficam à frente da situação e são os primeiros a receberem os golpes do adversário, são os primeiros a serem sacrificados, os primeiros a enfrentar a morte.
Ainda posso escutar com clareza o que a moça disse e o quanto eu neguei suas palavras dizendo que as coisas não eram assim e que eu não era essa pessoa que morre pelos outros. Ao ouvir minhas palavras no replay agora, elas soam tão vazias que nem eu mesma consigo me comprar.
Nesse jogo da vida eu sou sim mais um peão como tantos outros, estou muito longe de ser um rei e assistir enquanto lutam por mim, enquanto me tiram do campo de batalha ilesa ou re…

FRACTAIS DE MIM

Paredes em branco borradas de passado Cinzas sobressaindo dos cantos de cada cômodo Detalhes que camadas e camadas de tempo não apagam Rachaduras em minha pele que não sangram mais Mas que ainda são um lembrete do que o fogo é capaz
Mesmo que em tardes calmas desprovidas de luz solar Eu quase me sinta como se não estivesse em remendos Em algum lugar dentro dos meus olhos ainda mais obscuro Eu sei que não posso reviver minha altivez em secar meus olhos Como se nada pudesse me ferir As lágrimas bateram e quebraram essa parte de mim
Por mais que eu agora esteja sã e salva Eu sei que estou curada, mas não estou intacta Sou como um daqueles quadros de Salvador Dalí Um conjunto de relógios liquefeitos marcando tempos destintos Sou aquele encontro surreal de beleza e caos...

TIC-TOC

Quanto tempo é preciso para curar uma hemorragia interna?
Quantas batidas o ponteiro do relógio precisa dar até que uma saudade se torne trivial?
Quantas baterias vão ser trocadas antes que os ritmos batam em sincronia e as importâncias se equiparem?
Quanto de óleo vai cair das engrenagens até que elas estejam no ponto pra recomeçar a pulsar normalmente?
Quanto?
Quanto tempo?
Eu estou ficando cada vez mais com menos tempo...

Um brinde para nunca crescer!

Tem uma risada ecoando nos corredores

Todas as vozes se transformando numa só

Passos despreocupados de quem chegou
querendo permanecer

Sabendo bem que logo logo teria que partir
(alguns cedo demais)

Ainda há resquícios daquela piada antiga
que eu rio ao lembrar

Ainda se sustenta em meu peito a felicidade
de não querer estar em outro lugar

As ruas continuam as mesmas,
mas os passos agora se apressam

Onde nós vamos com tanta pressa?

Se eu não posso voltar no tempo eu posso
te chamar pra andar devagar?

Só hoje, vamos reencontrar aquele velho lugar lúdico

Aquele que guarda nossas lágrimas e sorrisos

Aquele lugar que era fácil acreditar
que um dia seria fácil deixar...

Aquele lugar grande que cabia
no gesto simples
                            de abraçar...